20 de julho de 2010

Para a menina, dos olhos cor de céu

Se me perguntares o que me lembro de um ano qualquer, tenho que pensar mais do que uns instantes, arranjar despertadores de memórias, interligar acontecimentos, e nem sempre consigo. Mas, se sentir um cheiro e me perguntarem, rapidamente vou a esse qualquer lugar, consigo deixar-me levar , ouvir a voz de com quem falo, ver a paisagem à minha frente. A intensidade e a qualidade não diminuem com os anos. Canela. Momentos inesquecíveis. Tantos risos vindos da alma e tantas lágrimas que me toldaram os olhos, inchados ... Eu sei que não vale a pena chorar, porque o mais valioso permanece sempre connosco... Flash’s surtidos do meu recente presente, do que deixo, de ti que ficaste abraçada a mim. Do primeiro verão. Dos últimos meses. Da vida inteira. Momentos retratados que, sem eu saber, me marcam, me fazem crescer e, lentamente, corto o cordão umbilical que me une cada vez menos à dependência. Cada vez mais escolho o meu próprio caminho e aventuro-me nele sem saber onde termina... Aprendo do ponto zero, sem referências, conquisto e sou conquistada, despistando tabus, acrescento "mudasti" ao meu dicionário. Cada vez mais nós.

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